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17 de setembro de 2012

Psicologia da Adolescência


 A adolescência compreende formalmente o período entre 12 e 18 anos, consistindo no processo de relações interpessoais em que o respectivo sujeito faz o movimento de transcendência (ultrapassamento) da infância para a idade adulta: como expressa o modelo científico descritivo, buscado na Astronomia, pelo que se ocupa dos astros em órbitas circulares ou elípticas. O jovem estende após si o período vivido ao amparo, cuidados e responsabilidade plena dos adultos de seu sociológico familiar de gênese como, ao mesmo tempo e nos mesmos termos, avança pelo campo de possíveis em que se objetiva sua vida adulta por antecipações. Fase das muitas encruzilhadas, caminhos por seguir, outros por deixar, perfis por definir (gênero, relações amorosas, orientação profissional, tantos mais); provocações diversas, às vezes adversas, outras perversas (álcool, drogas, violências, muitos descaminhos possíveis). E a necessidade indescartável (antropológica, sociológica, psicológica) de fazer-se sujeito titular do seu ser-no-mundo, ao fundo por risco e conta: em expressa, incontornável liberdade de eleição-de-ser, como a todos nos ocorre enquanto existimos entre os outros e as coisas, no meio do mundo de todos os dias. Apreensões, tensões, ansiedades, receios matizam os sonhos, ponderam as esperanças em pais e filhos: estes na preocupação de deixar o ninho de tantos carinhos e zelos, no medo muitas vezes de perder a mediação daqueles que os trouxeram ao mundo e os conduziram até então; aqueles (os pais) não menos alcançados em seus afetos, suas emoções, sentimentos.

A Psicologia de consultório volta-se para esse fenômeno complexo, as pessoas nele envolvidas: com esclarecimentos científicos, orientações existenciais, profissionais, assistência psicológica e, conforme o caso inclusive, para oportunizar superação de direcionamentos indesejáveis ou inconvenientes, articulando ao projeto existencial em definição com o desejo-fundamental-de-ser desenvolvido ao longo da infância, conforme o horizonte do sociológico familiar de gênese ou presente então. O trabalho terapêutico, sempre com pleno conhecimento e acompanhamento pelos pais, titulares do processo ao fim das contas, realiza-se em sessões individuais ou de conjunto, conforme as necessidades científicas de cada caso, em seus momentos diversos. Assim conhecem e atendem os profissionais do Consultório Relações, em Florianópolis, integrantes do quadro atual de associados ao Nuca: Estudos e Atividades em Existencialismo, (nuca.org.br)

Pedro Bertolino (Silva)
(Pesquisa e redação) 

15 de setembro de 2012

Adolescência e Liberdade


 Durante primeira e segunda infância, os adultos nos encaminham para sermos aqueles que eles desejam e escolhem que sejamos conforme suas pretensões, enquanto nos cuidam, protegem e educam no interior da família e da escola. Depois, na adolescência, cabe-nos a decisão: temos de escolher o que faremos daquilo que eles fizeram de nós; é o período crucial em que nos definimos para nosso destino entre os outros e as coisas. Noutros termos: no ser humano a existência (nosso acontecer no espaço e no tempo) precede à essência (aquilo que nos fazemos para a vida adulta): homem entre os homens, ser-no-mundo. 

 Foi o que Jean-Paul Sartre sempre preconizou ao longo de sua obra, especialmente nos estudos alentados sobre Genet, Flaubert e a propósito de si próprio, em "Les Mots": como, aliás, vem sendo confirmado repetidamente por pesquisas experimentais de campo e de ambulatório. Foi também o que quiseram talvez expressar com a arte daquele cartão com a pergunta sobre a foto dele. Mas, o tema acabou desviado da antropologia e da ciência para o domínio da moral e da filosofia, fazendo pensar que se trataria de por cobro ao mal que os outros nos fizeram. Não é nada disso. Além dos erros primários de redação: misturando "tu" com "você" e antepondo artigo definido "o" antes de pronome interrogativo, numa frase também interrogativa em que não temos qualquer substantivo por definir. 


Pedro Bertolino (da Silva)
(Pesquisa e redação)

26 de agosto de 2012

Adolescência de todos nós


Não há volta: temos de ser sujeitos, caminhar ao fio da navalha entre as escolhas e as consequências. Muitas vezes gostaríamos de saltar do mundo, parar nesse tempo, eternizar algum segundo: "só ficar." Mas, o trem não para. E perdê-lo seria mais desastroso do que viajar nele. O futuro se estende em seus possíveis provocantes e diversos, espertos e incertos. A vida adulta bate à porta, bosina pela esquerda, pede passagem. Tememos perder a liberdade. Depois descobrimos que nosso encontro com ela se deu num momento chamado sempre. Continuamos, que esta é a condição humana: fazer o caminho caminhando. "A esperança faz parte do ser humano. Mas, temos de construi-la", escreveu Sartre, disse tudo. Afinal: "o dia nasce novo em cada amanhecer!" O decisivo não é ficar, é transcender.

(Pedro Bertolino: pesquisa e redação).

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