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16 de agosto de 2008

Pedofilia e família


Como alguém se torna abusador, violento, negligente, capaz das atrocidades que estamos vendo estampadas nas páginas de jornais e na tevê? Estudos desde o século XIX da medicina legal, assim como atualizações destas verificações, ratificam que as pessoas que cometem delitos como violência, negligência, abusos chegando a homicídios, vêem de famílias em que tais fenômenos ocorreram, e por ressonância acabam por formar famílias também desestruturadas. Desestruturação que diz respeito a falta de diálogo, de amizade, de tecimento e envolvimento entre os entes da família, por mais que aparentemente, ou socialmente seja bem organizada: com filhos em bons colégios, pais com bons empregos, etc. Este fenômeno das relações superficiais dentro de uma família, alcança portanto todas as classes sociais.

O que se observa é que nos conjuntos familiares em que falta o diálogo, o envolvimento entre as pessoas, estas não ocupam adequadamente suas funções de pais, filhos, irmãos, tios, etc. Este tecimento que faz do filho, filho de seu pai, e do pai, pai de seu filho, por exemplo, é o que evita que as relações fiquem desestruturadas. Um adulto pode vir a excitar-se por uma criança de sua família, quando consegue absorver-se meramente no prazer do ato sexual, sem localizar-se de ser pai daquela filha, ou mãe daquele filho ou filha. São situações de impasses psicológicos em que as funções de pai, mãe, etc., não estão estabelecidas como deveriam.

As complicações psicológicas que levam a abusos e coisas do tipo, por componentes de uma família, trazem sofrimentos emocionais tanto a pessoa que abusa, quanto à aquele que é abusado, como para o conjunto familiar, que muitas vezes mantêm a situação velada, por não saber como resolver-se com o impasse sociológico gerado. Na maioria das vezes a pessoa que abusa, é também uma pessoa que ama e é amada na família, é também quem cuida, provê, protege. Aí o crucial do problema, porque ao mesmo tempo a família não pode descartar-se da pessoa sem desmantelar-se, mas a manutenção da situação a coloca em relações enlouquecedoras, para todos e cada um. Estes impasses exigem respostas por parte de profissionais que, com uma intervenção técnico-científica, revertam, interceptem e previnam o avanço de tais complicações, com metodologia de intervenção adequada a uma situação tão delicada. Este é o trabalho da Psicologia Existencialista Científica.

Ana Cláudia de Souza
Psicóloga - CRP 12/01567
Sócia do Nuca - Núcleo Castor
Imagem retirada da Internet

Um comentário:

julietepirak disse...

Concordo plenamente. A falta de integração da familia realmente desestrutura totalmente o meio social em que vivem os entes, possibilitando entre outras coisas o surgimento momentâneo ou não de pedófilos.
Estou a fazer um estudo sobre o assunto, para a faculdade, e seu texto me ajudou bastante!
obrigada!

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